A emergência climática já é uma realidade para milhões de pessoas que vivem nos territórios mais vulnerabilizados do planeta. Entre eles está o Semiárido brasileiro, onde a Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, convive historicamente com desafios relacionados à escassez hídrica, às desigualdades socioambientais e, cada vez mais, aos impactos das mudanças climáticas.
Mas a Caatinga não é apenas um território afetado pela crise. É também um território de respostas. Ao longo de gerações, povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores e agricultoras familiares desenvolveram conhecimentos, tecnologias sociais e modos de vida capazes de promover convivência com o Semiárido, adaptação climática e formas únicas de se relacionar e preservar esse bioma.
Inspirada nas semanas do clima realizadas ao redor do mundo, a Caatinga Climate Week nasce para colocar esse território no centro do debate climático global. A iniciativa busca ampliar a visibilidade da Caatinga, fortalecer o intercâmbio entre comunidades, pesquisadores, gestores públicos, organizações da sociedade civil e movimentos sociais, além de evidenciar soluções construídas a partir dos saberes locais.
Após sua primeira edição, realizada em 2025, a Caatinga Climate Week retorna em sua segunda edição, de 1 a 3 de julho de 2026, reafirmando o compromisso de conectar e fazer pontes para defesa desse bioma. Mais do que discutir os impactos da crise, o encontro propõe reconhecer a Caatinga como um território de inovação, resistência e futuro, onde já existem experiências concretas capazes de inspirar caminhos para um mundo em transformação.
*programação sujeita a alterações
*programação sujeita a alterações
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Na Caatinga, seu povo aprendeu a viver em convivência com a natureza, respeitando e lidando com condições climáticas exigentes por meio de tecnologias e saberes ancestrais. Esse conjunto de conhecimentos possibilita qualidade de vida e geração de renda. É o caso da família de Dona Cilene e Seu Zé Bocão, que, junto de seus filhos Estefany e Júnior, construíram um sistema produtivo integrado: a água chega pelas cisternas, passa por um sistema de dessalinização, faz seu trabalho produtivo e doméstico e, antes de ir embora, ainda dá uma volta pelo Sistema de Reúso de Águas Cinzas para irrigar o Sistema Agroflorestal.
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No Agreste de Pernambuco, a Associação dos Agricultores/as Agroecológicos/as de Bom Jardim, Agroflor, nasceu do desejo coletivo de agricultoras/es familiares de transformar sua qualidade de vida fundamentada na prática da agrofloresta agroecológica. Com quase 30 anos de produção, os/as trabalhadores/as perceberam o aumento da produção, a diversidade de cultivos, o incremento na rentabilidade das famílias e a efetiva melhoria na saúde e na qualidade de vida das pessoas. Tudo isso foi possível graças aos intercâmbios de conhecimentos com o agricultor suíço Ernst Götsch e com o agricultor pernambucano Jones Pereira, o primeiro a implantar uma agrofloresta no estado.
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No alto do Planalto da Borborema, no microclima de brejo de altitude, a Caatinga se apresenta de outra forma, com temperaturas mais frias e um índice pluviométrico maior. É neste ambiente, a mais de 800 metros acima do nível do mar, que os Quilombos Estivas e Castainho manejam os recursos naturais de forma sustentável, nos ensinando sobre adaptação climática por meio da gestão consciente da água. A comunidade se destaca pelo plantio de hortaliças e a construção de quintais produtivos que, abastecidos pelas cisternas, contribuem para a qualidade do solo e a produção de alimentos nutritivos e agroecológicos.
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No Agreste pernambucano, movimentos sociais, indígenas e quilombolas, cientistas e militantes da agroecologia se articulam para defender a continuidade das sementes crioulas, através da Rede de Sementes Crioulas do Agreste Meridional de Pernambuco (Rede SEMEAM). O objetivo é empoderar agricultoras/es locais como guardiões da biodiversidade da Caatinga, resgatando saberes ancestrais e produzindo alimentos saudáveis. Para isso acontecer na prática, a Rede aposta nos bancos de sementes, que são o epicentro de mutirões coletivos de plantio, colheita e eventos focados em trocar conhecimentos e estratégias de colheita e beneficiamento de sementes.
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O Território Indígena Xukuru possui 27 mil hectares localizados na Serra do Ororubá, na região Agreste de Pernambuco. Ali vivem mais de 8 mil indígenas distribuídos entre 20 aldeias, o que os torna a etnia mais populosa do estado. O nome do povo remete ao pássaro Uru e à árvore Ubá, reforçando sua relação sagrada com os animais e a mata, razão pela qual se denominam "o povo árvore-passarinho". Para os Xukuru, a agricultura tradicional e sagrada é a base de sua própria espiritualidade. É por meio do cultivo da terra que eles promovem a cultura do encantamento, uma forma de cultivar a memória ancestral e continuar escrevendo a história da comunidade.
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Reduzir os combustíveis fósseis é a meta número um de quem está na luta pelo clima, contudo, para esse plano dar certo, precisamos avançar com a transição energética para fontes renováveis. O Brasil é uma das referências mundiais nesse sentido, com pelo menos 50% de sua matriz energética advinda de fontes ditas limpas. É um motivo de orgulho, né? Mas o buraco é bem mais embaixo. Iniciativas como a Escola dos Ventos mostram que uma transição energética feita sem olhar para o ecossistema e para o modo de vida das pessoas prejudica tanto quanto os combustíveis poluentes.
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Localizada na Serra do Sobrado, em Jataúba, um brejo de altitude a cerca de 1.000 metros de altitude, a Associação dos Pequenos Agropecuaristas do Semiárido Brasileiro (APASA) desenvolve iniciativas de convivência com o Semiárido e adaptação climática. Fundada em 2006 por famílias agricultoras da região do sítio Sobrado, a APASA fortalece a produção e a comercialização de alimentos agroecológicos. Aproveitando as características do relevo local, os caldeirões de pedra que acumulam água naturalmente, a associação promove a recuperação de nascentes e a implementação de sistemas agroflorestais.
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A comunidade do Sítio Carneirinhos, em Caruaru, cultivava milho, feijão e algodão desde o início do século XX. Na década de 1990, sem estrutura para conviver com o Semiárido, as famílias migraram para a indústria têxtil, e a agricultura foi substituída por rotinas exaustivas de costura. Em 2019, Rizonia e Amanda Alves, mãe e filha, reuniram 12 mulheres para discutir o retorno ao campo. Alimentação Escolar.
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Você já parou pra pensar de onde vem a comida da merenda escolar? No Assentamento Normandia, essa resposta é simples: vem da terra, sem veneno, e com história de luta. Nascido de uma ocupação em 1993 e reconhecido pelo INCRA em 1997, o Normandia é um símbolo da política camponesa, da segurança alimentar e da soberania popular, onde famílias agricultoras constroem, há mais de 30 anos, um modelo de produção agroecológico que abastece escolas e creches do Agreste à Zona da Mata, chegando até o Recife.
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Muito mais do que um mercado popular, a Feira de Caruaru é uma imersão na alma da Caatinga. Nascida das antigas feiras de troca que conectavam agricultores, criadores e comerciantes, ela se transformou em um dos maiores espaços de comércio popular do país, reunindo milhares de pessoas, produtos, sabores e histórias. Percorrer seus corredores é encontrar comidas e ingredientes típicos, roupas, artesanato, além de expressões culturais que atravessam gerações.
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O Solar das Abelhas, localizado no famoso bairro do Alto do Moura, em Caruaru, é um Centro de Educação Ambiental e um ponto de referência em Pernambuco voltado à preservação das abelhas e do meio ambiente. Idealizado pelo ambientalista e meliponicultor João Luiz Aleixo, ou Lula do Mel, o espaço funciona como um refúgio de conhecimento focado especialmente nas abelhas nativas sem ferrão, fundamentais para o ecossistema regional.
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Localizado a apenas 7 km do centro de Caruaru, em Pernambuco, o Alto do Moura carrega o título internacional de Maior Centro de Artes Figurativas das Américas, concedido pela UNESCO. O bairro é um verdadeiro museu a céu aberto e um polo cultural vibrante, repleto de casas-museu e ateliês onde o barro é a forma mais genuína de expressão cultural. Transmitida entre gerações, essa arte moldada à mão revela personagens, cenas do cotidiano e manifestações folclóricas.
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